Sistemas de Informação e
Comunicação - E se eles param ?
As tecnologias de informação e
comunicação são hoje a base operacional de muitas empresas e
instituições. Se elas param, pára a organização toda e,
naturalmente, pára todo o serviço ao seu cliente ou utente.
Há uma correlação que se aproxima dos 100%, entre a
fiabilidade das tecnologias e a qualidade da operação
empresarial ou institucional.
Será que estão devidamente projectadas e
implementadas essas tecnologias de forma a garantir a
qualidade dos dados e a resiliência dos processos e das
operações ?
É este assunto que este texto pretende
abordar de uma forma sumária e tentar abrir ou reforçar,
assim, a consciência para o grave problema que se observa em
muitas organizações, nos últimos anos e que, se não for
resolvido poderá provocar a curto e médio prazo enormes
prejuízos económicos, naquilo que poderemos chamar a era do
curto-circuito informático.
Quando há cerca de um século aderimos à
energia eléctrica como forma de iluminação, movimento ou
aquecimento, tudo foi inicialmente implementado de uma forma
entusiasta e amadora, sem grandes projectos e sem grandes
sistemas de segurança. Só após alguns curto-circuitos,
alguns incêndios, custos financeiros avultados e alguns
milhares de pessoas electrocutadas se resolveu obrigar os
cidadãos a colocar disjuntores e ligações à terra, bem como
a fazer aprovar por engenheiros especialistas os respectivos
projectos.
A
história das tecnologias nas empresas e instituições
Também os computadores começaram a entrar
nas empresas, há cerca de 30 anos, quase em exclusivo, nos
serviços que tiveram esse privilégio: Os serviços de
Contabilidade. O computador e a respectiva impressora de
papel contínuo estavam confinados nesse departamento e,
eventuais falhas tinham uma gravidade relativa. Depois, com
o aparecimento dos servidores departamentais, com terminais
alfanuméricos e, mais tarde, com os computadores pessoais e
as impressoras laser, toda a área administrativa passou a
utilizar esta moderna e produtiva ferramenta de trabalho.
Nos últimos 10 anos a informática e as
comunicações tomaram conta, de uma forma entusiasta e, por
vezes, de um modo muito pouco planeado e profissional,
praticamente de todas as áreas administrativas, produtivas,
de gestão e de atendimento ao cliente, da grande maioria das
organizações. Alguns gestores ainda não se aperceberam disso
e, apesar da aparente lentidão na sua implementação e na
aceitação das pessoas por novas formas de trabalho, na
realidade foi tudo muito rápido e não deu tempo para
assimilar adequadamente, nem amadurecer, a responsabilidade
destes novos processos de tratamento da informação.
A actividade central de muitas
organizações está hoje montada num verdadeiro cavalo de pau
que, com pequenos imprevistos, lhe pode provocar sérios
danos económicos, financeiros e humanos.
A era
digital
Todos sabemos hoje que a informação em
suporte electrónico digital permite:
- MAIOR velocidade de comunicação
- MAIOR facilidade de tratamento de dados
- MAIOR produtividade e mais tempo de
lazer
- MAIOR qualidade na gestão
- MAIOR transparência na decisão
- MAIOR valor acrescentado nos serviços
- MELHOR ambiente e conforto no trabalho
Quase todas as empresas e instituições
estão a avançar no sentido da eliminação do papel e outros
suportes físicos de informação, passando à desmaterialização
de todos os seus dados e processos. Como todas as grandes
mudanças (tal como aconteceu, por exemplo, há cerca de 600
anos, com a invenção da tipografia, por Johann Gutenberg) o
processo é lento, com avanços e recuos, com custos nem
sempre previstos mas, todos sabemos que é um processo
irreversível. Historicamente, tudo o que inventámos no
sentido do nosso conforto, felicidade e qualidade de vida,
mais cedo ou mais tarde, passou a ser, tendencialmente, de
utilização e usufruto de quase toda a população. É tudo uma
questão de tempo.
Os
gestores
Os gestores têm olhado para as novas
tecnologias ora com entusiasmo e empenhamento ora com
desconfiança e medo. Se por um lado elas parecem facilitar a
vida a toda a gente, por outro levantam novos desafios, por
vezes difíceis de gerir. Vírus, backups, actualizações de
software, avarias intermitentes, custos imprevistos,
desmotivação de pessoas ou novas incompetências, etc. O
departamento de informática é visto pelos gestores com um
misto de sentimentos antagónicos, pois tanto faz um dia
disparar a produtividade para níveis recorde como, no dia
seguinte, faz parar o trabalho do principal gestor ou de
toda a organização.
Os
informáticos
O departamento de informática é
normalmente liderado por excelentes profissionais
tecnicamente muito competentes, motivados, que trabalham dia
e noite para instalarem e manterem em funcionamento as mais
actualizadas versões, das muitas e complexas tecnologias,
hoje, financeiramente, cada vez mais acessíveis às
organizações. No entanto, muito poucos destes departamentos
têm uma visão de gestão do serviços que prestam e,
tendencialmente, procuram na tecnologia a resposta para a
totalidade dos seus problemas de organização e controlo de
processos.
Alguns métodos simples, seculares, de
controlo e segurança são, muitas vezes, ignorados ou
esquecidos.
O
controlo e a monitorização
O resultado do que foi atrás referido é o
deficiente controlo e monitorização de alguns dos processos
vitais do serviço das organizações quando, afinal, temos
hoje tudo, ou quase tudo, em formato digital e, por isso,
tudo, ou quase tudo, pode estar disponível, em tempo real,
no monitor do responsável máximo de cada serviço ou
departamento.
A principal causa de não se estar ainda
num estado maduro de controlo e monitorização digital de
todos os processos de uma empresa ou instituição é, por um
lado a deficiente visão de gestão de alguns responsáveis
informáticos e, por outro o deficiente conhecimento
tecnológico de alguns gestores. Este processo pode levar
anos e, só com a colaboração de empresas de serviços
exteriores o problema pode ser minorado e, nalguns casos bem
resolvido.
Se perguntarmos a alguns gestores qual o
tempo médio de resposta (ou de reparação) que os seus
serviços técnicos internos lhe garantem ou qual o nível de
serviço que tem contratado com um seu fornecedor de
assistência técnica é provável que não saibam responder. Se,
por outro lado, lhes perguntarmos qual o nível de serviço
que um dado seu departamento está a prestar aos seus
clientes, é provável que fuja à resposta dizendo que “isso
é fácil, basta pedir à informática e eles logo me dizem.”
A
rastreabilidade
Enquanto outros sectores económicos têm
vindo a preocupar-se com este assunto há muitos anos, o
sector informático tem focado tradicionalmente a sua
atenção, mais na protecção e segurança de dados do que no
registo dos movimentos de acesso aos mesmos. Se alguém
apagar um dado ficheiro num servidor, o administrador de
sistemas, mais ou menos facilmente, encarrega-se de o repor
e de verificar a segurança de acessos para que tal não se
repita mas, muitas vezes, se lhe perguntarmos quem o apagou,
e quando foi, é provável que não saiba a resposta. Ora, dada
a gigantesca e crescente utilização de dados nas
organizações, este assunto da rastreabilidade talvez deva
ser mais considerado, em detrimento das apertadas seguranças
de acesso. Há quem fale hoje na palavra “infoxicação” como
sinónimo de excesso e velocidade de informação. Tal como as
estações de serviço nas auto-estradas tiveram que recorrer
às câmaras de vídeo-vigilância, como resposta de
rastreabilidade, ao gigantesco fluxo de acessos, também as
tecnologias de informação e comunicação terão, certamente,
que recorrer a este processo de controle no sentido de
manter a sua eficiência, assumindo algum risco que,
naturalmente, a legislação e fiscalização deverá
complementar.
O perigo
de curto-circuito
Desde a actividade económica de uma
pequena empresa comercial até uma grande instituição
bancária ou empresa de telecomunicações, passando pela
indústria ou por áreas mais sensíveis como o transporte
aéreo ou o sector da saúde, onde estão vidas em jogo, todos
têm um problema em comum: A qualidade, a fiabilidade e a
segurança dos seus sistemas de informação e comunicação.
Uma falha informática ou nas
comunicações, de uma organização já totalmente dependente do
suporte digital da informação, pode provocar horas ou dias
de caos nas suas operações, nos seus negócios, nos seus
clientes e, eventualmente, em vidas humanas. Além dos custos
operacionais directos inerentes a este tipo de incidentes há
ainda o custo político de se descredibilizar, o que poderia
ser a excelente decisão de avançar no sentido de ter toda a
informação em suporte electrónico, com vista a uma maior
produtividade e qualidade de trabalho. A dependência total
do suporte digital obriga a medidas de segurança, a
redundância de meios e a planos de contingência e manutenção
que devem ser devidamente acautelados. É urgente o
planeamento de soluções para este problema, na definição da
estratégia das organizações, dado que não se trata, de todo,
de um assunto meramente informático.
Carlos Costa - S.I.Saúde